♃☌♄
- A Filha de Mercúrio

- Nov 7, 2020
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No dia 12 de Janeiro de 2020, Saturno e Plutão encontraram-se aos 22º de Capricórnio.
Saturno representa as estruturas, os limites e as restrições e Plutão o poder, o controlo e as formas de manipulação. Capricórnio representa a tradição, o que é velho, a sociedade e os Governos. Saturno estava (e está) domiciliado em Capricórnio. Ao nível social e mundial, ao olharmos para trás, conseguimos perceber facilmente como estas energias se manifestaram ao longo de todo o ano. Os limites e as restrições aliaram-se aos poderes políticos e sociais para reestruturarem, controlarem e quem sabe, manipularem as nossas vidas. Ao nível pessoal vimo-nos sob influência, controlo e governo das autoridades que nos fecharam em casa e nos obrigaram a reestruturar uma ou várias áreas da nossa vida.
Outra coisa que Saturno e Plutão representam são os nossos medos e este também foi largamente sentido ao longo deste ano, quer ao nível pessoal, quer ao nível social. Eventualmente, muitos de nós vimo-nos confrontados com medos que nem sabíamos que tínhamos.
Pessoalmente, representou os limites que colocamos em nós mesmos, a forma como nos autossabotamos, o controlo que exercemos sobre nós e sobre os outros, a nossa relação com a ordem, com a disciplina e com a autoridade, o que já não nos servia, o que não era saudável na nossa vida e que áreas precisávamos restruturar de forma a estarmos mais equilibrados e alinhados com a nossa essência. Podem ter sido as nossas finanças, as nossas rotinas diárias, o nosso trabalho, as nossas relações, a quantidade de prazer ou alegria que trazemos aos nossos dias, enfim... caso não consigam identificar qual foi a área da vossa vida que mais sentiu estes temas ao longo deste ano, consultar a casa (e se souberem, os aspetos) onde esta conjunção se deu vai dar-vos pistas valiosas.
No dia 21 de Dezembro de 2020 acontece outra conjunção importante, mas desta vez entre Júpiter e Saturno aos 0° de Aquário. Qualquer planeta nos último graus de um signo indica uma finalização, como se fosse o teste final de um ciclo, e qualquer planeta nos primeiros graus de um signo representa inícios, algo que se vem aprender. Quando os dois planetas sociais se encontram nos primeiros graus do Humanitário, podemos interpretar como novos inícios e aprendizagens ao nível social e humanitário.
Aquário representa a Humanidade, a criatividade, a evolução, a tecnologia, a forma como as comunidades se organizam, a vanguarda, o futuro. Júpiter expande e fala sobre crenças, fé e filosofias de vida. Quando Júpiter entra em Aquário podemos esperar novas e inovadoras formas de abordar a vida em comunidade, uma nova fé para a Humanidade, o surgir de novas crenças e filosofias partilhadas que beneficiem o avanço social para um lugar mais humano e igualitário. Saturno também rege Aquário, mais ao nível das estruturas e da forma como assumimos parte responsável na sociedade.
Muito, mas muito antes de eu estudar astrologia já astrólogos de todo o mundo tinham os olhos postos nestes tempos por representarem o fim de uma Era e o início de outra. Isto não acontece de um dia para o outro, não é imediato. Estes aspetos (em conjunto com muitos outros) representam transições que começam sempre e antes de tudo em nós e que se manifestam no mundo, na sociedade e nas comunidades que integramos.
Se muitos de nós esperneámos á brava com o COVID, a verdade é que ele nos trouxe a oportunidade de nos recolhermos, de estarmos mais isolados das distrações do mundo e de olharmos com muita sinceridade para dentro de nós. Deu-nos tempo e espaço para observarmos, consciencializarmo-nos, assumirmos a responsabilidade por aquilo que atraímos e alimentamos nas nossas vidas e de transformarmos tudo isso em versões mais integradas e elevadas de nós mesmos.
Geralmente, com a chegada do final do ano e com a energia de Escorpião muito ativa, já costumamos sentir uma energia mais introspetiva, de finalização, de análise e integração, de fim de ciclo. Este ano essa energia está bastante amplificada e com uma exigência acrescida. Tem sido intenso, tem sido exigente, tem sido cansativo, porque Saturno não nos larga o pé enquanto não atingirmos a mestria, enquanto não nos tornamos disciplinados e responsáveis pelas nossas vidas, e porque quer que nós entremos nesta Nova Era plenos de que aquilo que carregamos para ela, é apenas e somente aquilo que a nossa alma precisa para se cumprir.
Marte está prestes a ficar direto e as quadraturas continuam ativas. Júpiter e Plutão ainda se vão encontrar este mês. A frustração, o cansaço, a negação imediata ás coisas com que queremos avançar ou aprofundar, a pressão externa, a restrição, o medo do desconhecido, a instabilidade vão continuar, mas continuarão a ser uma oportunidade para nos alinharmos com a nossa essência e aprendermos que somos nós que fazemos o mundo e não o mundo que nos faz a nós; que temos sempre a possibilidade de escolher que tipo de Ser Humano queremos ser: o que alimenta o caos, o medo, o controlo, a sombra, o negativo; ou aquele que mesmo no meio do caos e da confusão consegue cuidar de si com amor e envolver os outros nessa bolha amorosa que criou para si.
As injustiças vão continuar a existir e o lixo vai continuar a emergir. Lá fora vão continuar a existir vírus e Trump e 5G, mas nós podemos sempre escolher como reagimos a isso. Agora talvez tenhamos mais consciência do que nunca de que cada pensamento e cada ação nossas estão a contribuir para uma Consciência Coletiva que se alimenta dos pensamentos e das ações de cada um de nós. Se a nossa energia for de frustração, medo, pânico, caos, nervos, agressividade, confronto e conflito sabemos que é com isto que estamos a contribuir para o mundo e que é esta a intenção que estamos a manifestar sobre o mundo em que queremos viver. Se por outro lado escolhermos cuidar de nós, do nosso jardim, do nosso coração e da nossa alma, com amor, cuidado e nutrição, a nossa vibração representa uma chuva de rosas sobre a multidão descontrolada e em fúria. E não quero com isto dizer que não podemos sentir estes sentimentos ou emoções! É quase impossível não os sentirmos nos tempos que correm. O que digo é que temos a opção de os alimentar e de nos deixarmos alimentar por eles ou de os deixar surgir, ver de onde eles vêm, perceber porque vêm, acolhê-los com amor, carinho e gentileza porque fazem parte de nós (ou de partes de nós feridas e mal integradas) e assim mudarmos a qualidade da vibração que emanamos para o mundo.
Então, o meu exercício pessoal para os próximos tempos e que partilho convosco é sentir em que mundo eu gostava de viver e que mundo eu gostava de deixar para aqueles que virão depois de nós. Não é sobre o que eu quero para mim, é sobre o que eu sinto dentro de mim que deveria ser o mundo agora e depois de mim. Que valores eu gostava que vigorassem nesse novo mundo que agora eu tenho a oportunidade de construir? Que verdades? Que tipo e qual a qualidade das interações entre seres humanos? De que forma poderia ser feita a partilha de recursos? De que forma posso usar aquilo que tenho e temos de bom a nosso favor? O que é que eu tenho que posso reinventar, usar e colocar ao serviço de todos? Que tipo de vibração eu quero emanar para este novo mundo? Uma máxima que me ajuda a posicionar é a de que eu sou, nós somos, os futuros ancestrais. Aquilo que nós construirmos hoje é a marca que vamos deixar para o futuro.
Que tenhamos a sabedoria, a coragem e o amor de colocar os nossos desejos pessoais de lado e usar o nosso poder pessoal para transformarmos este jardim num lugar muito mais bonito, seguro e capaz de albergar todos os seres de forma igual. Que a força que nos move seja o amor à vida e à Humanidade. Que a nossa visão possa ir além do nosso umbigo e ampliar-se à Terra que habitamos. E que os nossos filhos e os nossos netos nos recordem como aqueles que uniram o amor à coragem, a intuição à manifestação, a essência à integridade, a vibração à manifestação consciente, a sombra á luz e que assim criaram um mundo onde o valor mais importante é o do Amor.





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