Diários da Filha
- A Filha de Mercúrio

- Mar 1, 2023
- 10 min read
Minhas Bombocas Cósmicas!
Tenho-me debatido um bocado com o vir fazer este post acima de tudo porque é sobre aquelas coisas que a maioria das pessoas não gosta e não quer ouvir.
Têm notado que eu ando desaparecida e de facto tenho. O motivo? Processo. E é sobre isso que vos quero falar.
Muitos de vocês sabem que os últimos meses de 2022 foram comigo a adaptar-me a uma doença que não sendo grave, é chata. Esta doença obrigou-me a desacelerar e até a parar, a passar muito mais tempo sozinha, em casa e se a prioridade imediata foi equilibrar a parte física, sempre soube que a fase seguinte seria equilibrar a parte emocional e psicológica. Sabemos todos que os sintomas físicos são manifestações de coisas que estão em desequilíbrio nos outros corpos e para nos curarmos, precisamos curar a origem. Claro que é muito mais fácil tomar uns comprimidos, meter um penso rápido e seguir caminho, mas já se sabe que os pensos rápidos duram pouco.
Não vou dizer que inicialmente aceitei bem. Aceitei só e fiz o que precisava fazer, Em muito pouco tempo ficou óbvio que o problema era muito mais profundo e complexo do que poderia parecer à primeira vista. Contudo foi precisamente quando percebi que resistir não me levava a lado nenhum, só complicava, que se começou a fazer alguma luz.
De certa forma, o convite (para ser simpática) que está a ser feito a todos nós é mesmo o de ir para dentro. Em geral, nós vivemos muito para fora. Vivemos para o trabalho, a relação, os filhos, os colegas de trabalho, os amigos, o projeto, o que nos permite ser vistos, validados, reconhecidos, úteis, amados. E quando acontece alguma coisa, de bom ou de mau, nós corremos para contar ás pessoas mais próximas ou, em alguns casos, a meio mundo. Já se perguntaram porquê? Porque é que precisamos tanto partilhar o que de bom ou de mau nos acontece? Vamos saltar as respostas mais óbvias do porque somos seres sociais, porque é pela partilha que crescemos, porque não somos ilhas. Isso é tudo verdade e, na minha opinião correto, mas procurem um bocadinho mais fundo e perguntem-se: porque é que eu tenho tanta necessidade de contar/partilhar o que me acontece?
...
Agora deixem-me colocar-vos um cenário. Se vos acontecer uma coisa boa vocês partilham com quantas pessoas? 3? 5? 10? E ficam mesmo felizes e preenchidos com o feedback que recebem? E se for uma coisa má ou que vos magoa ou incomoda? Partilham com quantas pessoas? 2? 4? 10? Pensem bem.
Cada vez que vocês repetirem a história estão a alimentá-la. É energia. E enquanto a vossa energia estiver a alimentar essa história não está a alimentar outra história. Além disso, enquanto estiverem a contar essa história estão a partilhar a vossa energia sobre essa história, portanto a dispersá-la. É como quem recebe convidados em casa e abre a porta de um quarto. Estão a colocar esse quarto à disposição de outras pessoas. Talvez isto vos faça pensar/sentir melhor sobre como a nossa energia anda por aí dispersa em todas as nossas histórias em vez de estar dentro de nós e canalizada para o que realmente importa.
E... quantas pessoas recebem mesmo as vossas histórias, boas ou más, com verdadeira capacidade para as receber, acolher, respeitar e vos dão mesmo tempo e espaço amoroso e empático para que possam expor essas histórias?
Se há coisa que eu acho que Marte nos tem estado a ensinar nos últimos meses é sobre o Grilo Falante. Não sei se se recordam de usar essa analogia por aqui. Marte é o guerreiro e representa as nossas lutas. Gémeos é sobre comunicação e informação mas sem grande análise ou discernimento (pode até tender a alguma dispersão). Por isso eu resumia a primeira passagem como o momento em que percebemos que estamos a gastar, perder, dispersar energia, a retrogradação como o momento em que percebemos de que forma e com o quê e agora o momento em que ajustamos e corrigimos.
Andar por aí como Grilos Falantes a deitar tudo cá para fora como dizia aquele papagaio do anúncio da Vodafone (acho que era da Vodafone) é um desgaste brutal de energia. Assim como o é andar pela vida em busca daquilo que não encontramos dentro, seja amor, validação, atenção, reconhecimento, pais, mães, carinho, festinhas, palmadinhas... vocês percebem.
Saturno, a pouquinhos dias de entrar em Peixes, parece-me que, de entre outras coisas, vai trazer-nos a continuação deste filme. Peixes fala de finais, transcendência, mas também de fantasia e evasão. Saturno já sabemos que é o pai autoritário que nos vem restringir e limitar. A imagem que tenho disto é a criança agarrada ao baloiço a berrar por mais 5 minutos porque quer curtir e brincar e o pai a agarrá-la por uma orelha e a arrastá-la para casa para ir lanchar e fazer os trabalhos de casa. Percebem onde quero chegar? Brincar no parque é fixe, mas se só brincarmos como é que nos tornamos doutores? E pessoas de família respeitadas? E ganhamos bem? E temos o Tesla à porta? Pronto...
Sempre olhei para Saturno em Peixes como o teste de fé. Peixes é como que um portal para dentro de nós, um lugar onde nos encontramos com tudo o que é, com tudo o que existe, mas de dentro para fora. Em Peixes nós sonhamos para criar. Nós experimentamos uma conexão interna, com o espírito, que transcende a matéria, mas que funciona como uma teia invisível que nos liga a tudo o que existe. Ou fugimos e nos embebedamos e nos apaixonamos por o "Tal", aquele muito especial com quem temos "aquela" conexão e que se está a cagar para nós, mas nós sabemos dentro de nós que é ele, o "tal", twin flame, alma gémea e que a cena é mesmo especial e a conexão é mesmo coise.
Foco, Filha! Foco! Dizia eu que... testes de fé. Ora bem, é possível que aconteçam algumas das seguintes coisas nos próximos tempos:
- Sermos atirados para lugares que de início nos pareçam de solidão e/ou isolamento;
- Nos sejam retiradas as velhas bengalas (pessoas, situações, padrões que nos permitem continuar pendurados em vez de andarmos pela nossa própria vontade, essência, motivação, convicção, valores...);
- Sejamos colocados perante velhas, gastas e/ou repetitivas situações para que a nossa ação seja completamente diferente, em muitas situações até pode parecer quase contranatura, e obrigar-nos a percorrer territórios misteriosos, inexplorados, que é como quem diz, operar de uma forma que nunca imaginámos que nos podia servir e que nos entanto é aquela que nos serve melhor, a que nos traz mais paz;
- Sermos forçados a selecionar e priorizar os lugares (pessoas, situações) onde investimos energia e...
- ... aprender a canalizá-la de uma forma madura, adulta e equilibrada.
De certa forma, é um bocadinho a mestria do uso da nossa energia e da limpeza, manutenção, purificação do nosso campo energético. Isto poderá fazer com que tenhamos que reformular muitas das nossas rotinas, das nossas formas de agir no mundo, com o mundo, com as pessoas à nossa volta, fazer seleções e priorizações e passar algum tempo no nossa cantinho, no nosso tempo sagrado, a cuidar de nós e do nosso jardim sagrado.
Uma das coisas que os últimos meses me ensinaram foi que não vale mesmo a pena resistir. Em vez disso, quando somos confrontados com situações que não queríamos, não gostamos, nos frustram e nos contrariam, fazemos delas uma escolha e como escolha, tornamos essa escolha a melhor possível. De uma forma muito prática, quando fui atirada para dentro de casa, isolada de tudo, sem vida social (Leão de casa 11 sem vida social, onde é que já se viu!!!) primeiro resisti. Eu dizia que aceitava, mas dentro de mim estava a sofrer. Não tinha energia nenhuma, em alguns dias levantar-me da cama consumia-me as foças todas que tinha (literalmente!), não conseguia fazer caminhadas, não podia ir jantar fora e vivia para trabalhar e gerir a dor. Dentro de mim estava a tentar aceitar, mas estava a sofrer, a resistir. Como não tinha hipótese, acabei por ir aceitando. O passar do tempo mostrou-me que este lugar não era assim tão mau. E ficar com a minha energia condicionada, mostrou-me como a devo preservar, proteger e até sacralizar. É verdade que foi à bruta. Voltei a estar muito perto das crises de ansiedade. Para quem não sabe as crises de ansiedade (ou de pânico como eu lhes chamo) podem deixar-nos num estado de alerta máximo tão grande, como se estivéssemos perante um grande perigo eminente, mas durante horas e podem fazer-nos perder completamente o controlo do corpo. A sensação pode mesmo ser de que vamos "apagar" e cair redondos no chão. Além disso, eu chegava ao fim de alguns dias completamente drenada, esgotada, com dores de cabeça, a sentir-me completamente esvaziada, com muitos problemas para dormir e sem saber como, nem porquê. Um dia comecei a prestar atenção a coisas tão básicas como:
- Quantos grupos de whatsapp eu tinha ativos (daqueles em que se conversa ou trabalha bastante - pensem que nos grupos estamos a lidar com a energia de cada pessoa daquele grupo, mas com todas ao mesmo tempo);
- A quantas mensagens eu já tinha respondido antes das 9h00 da manhã;
- Quantas dessas conversas acrescentavam mesmo alguma coisa coisa à minha vida ou à minha existência;
- A quantas pessoas eu contava a mesma história ou as mesmas histórias.
A dada altura tive que mudar o toque de notificação do telemóvel porque até isso eu percebi que me fazia ficar ansiosa, porque a verdade é que cada notificação é um estímulo, algo para dar resposta ou pelo menos atenção. Quando prestei atenção a tudo isto, mais ás coisas que ao longo do dia apertavam os meus botões de nervos, revolta, medo, encontrei um enorme bolo, daqueles de várias camadas e cobertura sempre prestes a explodir-me na cara ao fim do dia. Isto fez com que encontrasse muito mais paz no silêncio, com que escrevesse ainda mais, com que encontrasse formas de me desligar do Grilo Falante e de ficar em silêncio comigo mesma. Ainda é um work in progress, mas tem feito maravilhas por mim.
E claro que esta está a ser a minha forma de experimentar o que outros estão a experimentar de outras formas. Em essência, a questão vai dar ao mesmo: estamos todos a viver demasiado para fora porque continuamos a buscar fora aquilo que não encontramos dentro ou que ainda nem sequer tivemos coragem para procurar. O que vos posso dizer é que quando entramos no caminho certo, no alinhamento certo, aparece muito suporte e muita ajuda. Pode não ser a mais óbvia ou a que mais esperávamos, mas aparece. Tenho visto pessoas enfrentarem demónios e a partir do momento em que decidem enfrentá-los, acontecerem coisas mágicas, bênçãos imensas, rasgos de consciência brutais e isto sim são as situações onde eu quero estar e assistir e presenciar. Estas são as portas de casa que eu quero abrir. Mas a verdade é que ainda não vi isto acontecer sem que a pessoa se tenha colocado numa posição que lhe é desconfortável, sem que tenha saído da sua zona de conforto, sem que se tenha atirado para um lugar que não conhece e que lhe é estranho. Eu diria que para estas pessoas e para mim a dada altura exigiu mesmo sacrifícios. Não que hoje os veja desse forma, mas na altura era assim que sentia e que sei que sentem e sentiram. É aqui que (finalmente regresso ao tema) entram os testes de fé. É aqui que temos que decidir se ficamos no que conhecemos (tipo estou no cocó mas pelo menos eu já conheço o cheiro deste cocó) ou se decidimos que qualquer coisa é melhor do que continuar onde estamos e nos entregamos ao lugar para onde a vida nos está a empurrar. Porque esse é o lugar onde precisamos estar.
Temos esta ideia de que ter livre-arbítrio nos permite controlar a vida, de que poder criar a nossa realidade significa que podemos controlar todas as variáveis da nossa realidade, quando nem sequer fazemos ideia do que é real. Nós não controlamos nada a não ser a nossa vibração. Por isso se diz que criamos de dentro para fora, mas não com controlo. Criamos através da entrega, da rendição, da gratidão, da atitude amorosa, da não resistência. Digam-me uma vez em que resistiram à vida e ganharam? Podem ter fintado, arrastado, empurrado, prolongado... mas nunca ganharam. Eventualmente a vida apanhou-vos ou vai apanhar-vos e vai devolver-vos ao lugar onde deviam estar e essa é a maior prova de amor da Vida, de Deus, da Deusa, do Universo. Muitas vezes este lugar é um lugar onde não queremos estar. É uma situação que não queremos viver. Isto é humor cósmico. É decidirmos lá em cima que o que viemos fazer aqui é A, mas chegamos cá e corremos o B, C, D, E ... até chegar ao A e perceber que afinal era tão simples. Não me vou pôr aqui a divagar sobre os motivos de isto acontecer porque a ideia principal é a de que não controlamos mais do que o que se passa dentro do nosso campo energético. E isso significa que também não controlamos as outras pessoas. Podemos eventualmente inspirá-las pela verdade com que vivemos a nossa existência, mas só elas podem decidir e agir sobre a qualidade da vibração delas, sobre a qualidade das suas ações e sobre o que estão a fazer com a existência delas. E muitas vezes perguntam-me "mas se isso me influencia?". Influencia nada! Só nos influencia aquilo que nós deixamos que influencie. Só penetra em nós aquilo que nós permitimos que penetre. Não existe violação energética. Existem as brechas que nós temos porque ainda não preenchemos esses pedacinhos connosco mesmos. Existem padrões que insistimos em alimentar porque de uma forma consciente ou inconsciente, quem sabe algo distorcida e manipulada, nos convém manter a personagem que os representa. Sair dessa personagem exige os tais sacrifícios, o tal ato de fé, o tal sair da zona que conhecemos e então preferimos ficar por ali, no cocó habitual.
Se há muito ruído, silêncio. Se a pessoa influencia negativamente, silêncio. Se há "drenanço" energético, silêncio. Se há cansaço, confusão, agitação, medo, revolta... silêncio. Se há tristeza, abraço :D
No final do ano passado eu recebia muito esta mensagem e não a entendia para mim quanto mais para a poder passar para vocês, mas agora entendo. A mensagem era "prepara a tua casa, vais passar muito tempo nela". E é esta a mensagem que ao fim de 3 meses eu vos consigo passar: preparem a vossa casa, tornem-na num lugar muito confortável e passem muito tempo nela. Não tem que ser um lugar de isolamento. De todo! Tem que ser um lugar onde selecionam e priorizam quem entra. Tem que ser um lugar de onde nós não saímos para dar lugar aos outros. Tem que ser um lugar onde não recebemos ninguém antes de estarmos nós cuidados, nutridos, reabastecidos e inteiros. Tem que ser um lugar sagrado e de respeito. E podemos sair de lá. E podemos ir para o mundo. E podemos criar, viver, experienciar, divertir-nos muito, mas com a consciência do que isso nos vai acrescentar. Não é egoísmo, é autocuidado.
Abraço-vos com muito amor ♥





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