top of page

Ansiedade

  • Writer: A Filha de Mercúrio
    A Filha de Mercúrio
  • Oct 19, 2021
  • 5 min read

Vocês pediram e aqui estou para falar sobre isto. A primeira coisa que eu vos tenho a dizer é: Estamos juntos!


Não é por saber umas coisas de Astrologia e por ter passado metade da minha vida, que não vai muito longa, em estudos, leituras e muito trabalho interno que sou uma pessoa muito equilibrada e bem resolvida. Esta menina sofreu de ansiedade a vida toda!

O meu processo


Desde muito (muuuuitooo) nova que sofro de ansiedade. Só comecei a ter verdadeira noção disso na adolescência, por volta dos 14 anos, mas nessa altura ninguém me dava muito crédito. Coisas de miúdos! Cresci assim até começar a desenvolver aquilo a que chamo de crises de pânico: começa por um aperto no peito, a sensação de que vou sufocar, falta-me a força, começo a tremer que nem varas verdes e tenho a sensação que vou cair redonda no chão.


Na adolescência, associado a isto veio o diagnóstico de depressão e comecei a ser seguida em Psicologia e Psiquiatria. Carregadinha de medicação fortíssima a resolução fui nenhuma. Cada vez ficava pior e cada vez me era prescrita medicação mais forte que me deixava meia dormente, meia dopada, incapaz de pensar, o que ainda me deixava mais ansiosa. Sentia--me diminuída, incapaz de funcionar, era a maluquinha lá do sítio e tudo junto fez com que do dia para a noite deixasse a medicação toda e procurasse outro caminho.

Na verdade é aqui que começa o meu longo caminho de trabalho pessoal (ou o caminho espiritual como lhe costumamos chamar). Por volta dos 17/18 anos estava pronta para desistir da vida e morrer, porque qualquer coisa era melhor do que viver daquela maneira. Embora sempre tenha tido muita facilidade em ver coisas, naquela altura não via grande saída do quarto escuro onde me tinha aprisionado.


Tive várias fases ao longo da vida. Fases mais tranquilas em que a ansiedade corria em plano de fundo, mas sem causar estrago e outras fases em que ela me rebentava na cara deixando-me com esgotamentos e incapaz de funcionar na vida diária. Garanto-vos que para alguém como eu, com um tema de autonomia muito forte, isto é desesperante

A mudança de consciência

Estes anos todos de trabalho interno fizeram-me perceber que muitas vezes a ansiedade está associada a um padrão de querermos controlar tudo dentro de nós e à nossa volta, mas se formos mais fundo na questão, se tentarmos perceber porque é que precisamos tanto controlar, vamos descobrir o medo ou os medos. Diz-me a experiência que nunca é só um.


Na maioria dos casos a sequência é esta: medo, controlo, ansiedade. O medo de alguma coisa leva-nos á tentativa de controlar e como é impossível controlarmos tudo, acabamos em ansiedade. Mais, a energia que gastamos a tentar controlar drena-nos completamente e tira-nos do nosso centro. É como termos constantemente um vírus a correr em plano de fundo e a minar tudo o que acontece com o nosso sistema.

Costumam perguntar-me como é que paramos de tentar controlar, mas a grande questão é: quais são os nossos grandes medos. Abram o catálogo e percebam os vossos: sobrevivência, abandono, rejeição, não ser perfeito, não ser suficiente, crítica, julgamento, ser ridículo, ser desacreditado... e o leque continua. Invariavelmente são estes meninos que estão na base das nossas tentativas de controlar. É uma questão de segurança psicológica e emocional. Por isso vos falo tantas vezes sobre a importância da estrutura e sobre a nossa tendência para plantarmos as nossas raízes fora de nós.


No Mapa Natal há vários posicionamentos que dão indicações destes medos e das tensões inerentes, mas também há muitos terapeutas capazes de ajudar a descortinar o que está por trás dessa ansiedade e ajudar-vos a lidar com ela. Importante é que:


1 - Assumam que ela existe, que é real e que não a desvalorizem;

2 - Não se sintam menos por sofrerem com isso. Acreditem que muitas das pessoas que vos criticam ou desvalorizam a forma como se sentem têm problemas bem mais graves por resolver.

3 - Se ficar descontrolado, se vos afetar, peçam ajuda!!!

No meu caso é comum afetar-me o sono, a energia e a capacidade de me concentrar. Dormir mal, deitarmo-nos na cama e a cabeça virar uma roleta russa de problemas hipotéticos, de tudo o que pode correr mal, tentarmos imaginar as 500 variáveis de uma determinada situação, queremos que seja como nós queremos... ou tentarmos manter pessoas e situações na nossa vida com medo do que possa acontecer caso elas desapareçam, tentarmos ter tudo perfeito no trabalho, em casa, na família... tudo isto (e tantos outros) são sinais de medos escondidos que nos geram ansiedade e que nos podem levar ao colapso.


É preciso enraizarmos, aprendermos a ser mais fluídos, a ter mais fé, a confiar mais na vida e em nós, aceitarmos os ciclos naturais da vida, mas eu diria que acima de tudo é preciso criarmos uma estrutura interna de tal maneira forte e coesa que não dependa de nada, nem de ninguém. Claro que desafios vão sempre existir e que não somos ilhas. Vão sempre haver momentos de dor, de sofrimento embora este seja opcional, mas se aceitarmos que estes são os ciclos naturais da vida, se não tivermos medo dos processos transformativos, da mudança e do movimento necessários ás correntes de fluxo da vida, temos meio caminho andado para nos libertarmos deste vírus que nos mina o sistema todo.


Não precisam de fazer isto sozinhos. Se for necessário, peçam ajuda. Compreendam que o próprio ritmo que foi impresso à vida ao longo dos tempos não é o ritmo natural do nosso corpo e o que externamente nos é exigido não está em nada alinhado com os nossos ciclos naturais que diferem consoante as fases do nosso caminho.


As mulheres conseguem perceber isto melhor (e perdoem-me os homens), mas uma das coisas mais violentas para o corpo de uma mulher é estar menstruada e ter que produzir exatamente o mesmo, cumprir exatamente com o mesmo que noutra fase qualquer. E este é só um dos muitos exemplos em que precisamos de aprender a ouvir os sinais dos nossos vários corpos e adequar o nosso ritmo.


Mais uma vez repito: se for demais peçam ajuda e lembrem-se que estrutura é tudo. Não precisamos fazer tudo sozinhos e somos almas a viver uma experiência humana. Nos tempos que correm nós estamos a escrever uma história totalmente nova e vivemos por tentativa/erro. Não se cobrem demasiado, não se exijam demasiado e sejam gentis. Por mais difícil que o processo possa parecer, lembrem-se que é sempre homeostase divina, é sempre o Universo a fazer a vossa alma cumprir-se porque o Universo não quer saber do vosso ego, dos vossos desejos ou da vossa personalidade. Ele é uno com a vossa alma e o propósito da vossa alma é a única coisa que lhe interessa. Entreguem, confiem, aceitem e agradeçam. Está tudo certo e vai correr tudo bem.



 
 
 

Comments


bottom of page