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Este podia ser mais um post sobre a Lua Cheia, mas só que não.

  • Writer: A Filha de Mercúrio
    A Filha de Mercúrio
  • Mar 28, 2021
  • 9 min read

Olá Pessoas Maravilhosas! ♥


Disse-vos que era possível que ainda viesse falar mais sobre a Lua Cheia de hoje, mas na verdade venho falar sobre um dos temas que ela traz e que para mim é importante, por isso decidir partilhar convosco.


Como vos disse, esta é uma Lua de casa 1 e ativa o eixo 1/7. É uma Lua Cheia em Balança e ativa o eixo Carneiro/Balança. Tipicamente este é o eixo de como eu me relaciono com os outros, o eixo das relações pessoais, de 1 para 1. A casa 7 é a casa dos relacionamentos, das parcerias, dos contratos, mas também é a casa dos inimigos e da nossa sombra. É nesta casa que nós descobrimos como nos projetamos nos outros e o que é que os outros nos devolvem sobre nós que ainda não vimos ou que insistimos em não ver. É sobre isto que vos quero falar.


A maioria de nós cresceu num modelo familiar e num modelo de relação entre masculino e feminino que já não existe. Para alguns ainda resulta (bem ou mal) tentar replicar esse modelo e está tudo certo, mas para uma grande parte de nós esse modelo não funciona e pode ter-nos levado a conflitos internos do tipo "O que é que está errado em mim? Porque é que isto funciona para os outros e não funciona para mim? Porque é que os outros conseguem e eu não?". As gerações de Plutão em Balança vieram mudar o paradigma das relações e as gerações seguintes, de Plutão em Escorpião, trazem consigo um propósito de cura e de aprofundamento emocional e psicológico muito grande. Entre estas duas gerações encontra-se uma mudança no paradigma relacional que é a que estamos a atravessar agora. Além disso há mais coisas a acontecerem e aquilo que para nós representa a tradição recente também se está a alterar, possivelmente para o que eram originalmente as nossas tradições, mas que acabaram por ser esquecidas e deixadas muito lá atrás. Se quiserem, vejam a coisa como um regresso ás origens, aos primórdios da existência humana onde a Humanidade e o Ser ainda não tinham sido separados e distorcidos por dogmas e normas sociais que mais não fizeram do que afastar o Ser Humano do seu centro, da sua luz e do seu poder e liberdade de Ser.


Algures por este caminho perdemo-nos da nossa essência original. Se regressarmos ás culturas pagãs, sabemos que a mesma mulher que cuidava do lar, aprendia a lutar e a defender o seu território. O mesmo homem que ia à caça, cozinhava o seu alimento. Homens e mulheres eram curadores, guerreiros, cuidadores, zeladores e ambos desempenhavam o papel de garantir o sustento em todas as suas formas. A própria sexualidade era vivida abertamente e representava o poder e força de expressão criativa ao estabelecer uma conexão sagrada, primeiro pessoal e depois entre almas, de onde resultava uma força vital. Então, basta olharmos para a história para percebermos como a erradicação das culturas pagãs não foi mais do que o início da separação entre masculino e feminino e de tudo o que verdadeiramente ligava a Humanidade aos Céus. As mulheres são isto, os homens são aquilo. O lugar da mulher é ali, o lugar do homem é acolá. Não há divino em nós. Nós somos imperfeitos, pecadores, seres inferiores aos olhos de Deus. "Põe a mão no peito e baixa a cabeça em reverência: Perdoai-me Senhor".


O caminho de regresso a casa tem sido longo, demorado e tortuoso, especialmente e regressando ao início, para aqueles de nós que fomos desligados da nossas origens e que a dada altura fomos largados numa sociedade onde não conseguimos funcionar e onde nos sentimos constantemente desenraizados, forasteiros e onde vivemos com uma sensação de vazio crónico. Pelo modelo imediatamente anterior, vamos procurar compensar esse vazio com uma carreira bem sucedida, um casamento e a constituição de uma família. Quantos de vocês conseguiram isso tudo num ápice e pouco tempo depois estavam a perguntar-se que raio é que se passava convosco que tinham a "vida perfeita" e mesmo assim não conseguiam estar felizes e em paz? E marca-se mais uma viagem porque se calhar precisamos é sair da rotina. Compra-se um carro novo porque uma pessoa precisa de ter ambições. Talvez se comece a trabalhar para uma posição melhor na empresa porque é preciso manter a ambição. E o vazio é cada vez maior. O fosso existencial é cada vez mais um buraco negro que cresce e nos consome.


E depois há outros que souberam desde muito cedo que o modelo imediatamente anterior nunca lhes serviria e começaram logo a tentar introduzir as mudanças a esse modelo na raíz. Andam ali na tentativa erro, qual água mole em pedra dura, a tentarem equilibrar o que a vida interior lhes pede com o que a vida exterior lhes exige, porque precisam caber na sociedade, precisam relacionar-se com ela e ter um lugar nela. Buscamos o sentimento de pertença aqui e ali, ali e nos outros. Pegamos nas nossas raízes e transplantamo-las dos pais para os filhos, para os namorados/namoradas, para os maridos/mulheres, para os amigos, para os conhecidos, para os grupos com os quais nos identificamos e onde sentimos que podemos ter um lugar. E plantamos ali as nossas raízes com a fé de que elas peguem e finalmente nos possamos erguer para os céus. Mas o sentimento de vazio crónico não desaparece.


O que quero dizer com isto é que muitos de nós somos bebés a dar os primeiros passos num lugar absolutamente desconhecido, entre o que foi e o que será, porque foi essa uma das missões que escolhemos quando decidimos encarnar agora. A questão é que não fazemos ideia de para onde estamos a ir e não há modelo porque ainda não foi vivido. Como diz a Maria Flávia de Monsaraz, a única solução é regressarmos ás origens primordiais e daí retiramos a sabedoria que nos pode ajudar a construir o novo paradigma. Ainda assim, não será igual a nada do que foi, apenas nos serve como base. Recordar e reintegrar o tempo em que não estávamos separados da vida, do outro e do divino que habita em nós, parece-me ser a única base sólida e viável para navegarmos rumo a futuro diferente e para construirmos um mundo onde o vazio se torna menos crónico e deixa de ser uma marca da Humanidade.


Porque é que falo sobre isto agora? Porque se olharem para o Mapa desta Lua Cheia veem Sol, Vénus e Quíron a apontarem para a Lua em Balança. Porque é uma marca de Consciência, Amor e Cura que aponta para as nossas necessidades e carências existenciais. E os 3 estão em Carneiro e Carneiro sou eu a nascer. Carneiro sou eu a nascer com uma nova consciência, com outro coração e com uma ferida que nunca será curada, mas que pode ser integrada, iluminada e vivida sem sofrimento. Carneiro sou eu a rasgar o ventre da minha mãe, a nascer para um novo e desconhecido mundo, onde tenho a oportunidade de desbravar terreno de forma autónoma e independente, mas desta vez com o coração no leme e com as minhas feridas sanadas. E quando nasço a primeira pessoa com quem sou confrontada é comigo mesma. Desta vez não tenho mãe nem pai, mas tenho as bênçãos que eles me deixaram: consciência e amor. E quando nasço sei que tenho um lugar no mundo porque caso contrário não teria nascido. Quando piso este chão pela primeira vez sei que parte dele também é meu, assim eu saiba desde logo pegar nas minhas raízes, plantá-las em mim, fazê-las descer pela planta dos pés até à Terra e assim caminhar por ela. E onde é que planto as minhas raízes? No meu coração, no centro de mim, naquele portal sagrado que faz de mim a ligação entre o Céu, a Terra e a Vida. Aquela parte de mim que é essencial, que Tudo É e que Tudo Sabe porque é Cosmos, é Vida, é Sabedoria, é Vitalidade e em suma, é Amor.


E agora perguntam vocês "É uma Lua Cheia em Balança, porque é que estamos a falar de mim?". Porque é em mim, em ti e no outro que tudo começa e onde tudo acaba. Porque é da minha interação comigo e com o outro que se gera mais vida. Porque precisamos parar de ir buscar ao outro o que não temos em nós e porque precisamos de parar de viver como se estivéssemos separados uns dos outros. Precisamos compreender com todo o nosso Ser como cada um de nós é uma peça é absolutamente única e original que faz parte de um Todo, tem Lugar num Todo e sem o qual o Todo não seria como é caso essa peça não existisse. E precisamos ampliar a nossa perspetiva, a nossa visão, para ver como as interações são o que trazem dinâmica à existência.


Ouço muitas vezes coisas como "mas tu não tens que te guiar pelos outros, tens que te guiar por ti" e é verdade. Mas também é verdade que é através dos outros que eu me encontro e descubro a mim. Então isto é uma dança cósmica, uma grande peça de teatro cósmico, onde muitas vezes os personagens se vão alterar e onde eu tenho que saber a minha parte do papel, mas onde só existe espetáculo se existir interação entre os vários personagens. Ninguém gosta de monólogos, mas também seria caótico se nesta peça, ninguém soubesse qual o seu papel e o lugar das suas falas. E temos que saber quando entrar em cena, mas também quando sair de cena. Temos que saber quando é o nosso tempo de estar em palco e quando é tempo de irmos para os bastidores, trocar de roupa, trocar de penteado e maquiagem, para reentrar numa cena nova. Então, eu só posso entrar na cena de Balança quando sou Carneiro!


Quando eu tenho a Lua na casa 1 eu tenho necessidade de mim e quando tenho muita energia na 7 a apontar-me o dedo, é possível que vá ter muita gente a mostrar-me onde eu mais preciso de mim. Como é que mostram? Espelhando a sombra que eu projeto! Refletindo e devolvendo para mim, aquilo que eu não consigo ver fechada na minha redoma de vidro. Uma coisa muito interessante sobre as relações é que elas nos trazem não o que queremos, mas o que precisamos. Se eu for uma pessoa muito carente, à partida, vou desejar pessoas que me deem muito mimo, muita atenção e muito cuidado, mas o que vou atrair vão ser pessoas que me vão fazer o oposto: dar patadas, não se envolverem, não se comprometerem, serem muito independentes, pouco emocionais ou sensíveis. E eu vou ficar a sentir que o mundo está contra mim porque nunca tenho nas relações aquilo que preciso. Contudo, o que elas vão estar a fazer é a retirar-me a possibilidade de ir buscar a elas, aquilo que eu preciso de aprender a cultivar sozinha dentro de mim. Neste caso e usando o exemplo, vão estar a ensinar-me sobre como eu posso cuidar mais de mim, mimar-me mais, dar-me mais amor e não tendo nos outros, ou continuo desenfreadamente a correr pela vida atrás disto aqui e ali enquanto a frustração de não o conseguir aumenta, ou faço uma pausa e sinto de que forma eu posso cultivar isto em mim, sem depender dos outros para o ter. O melhor é que à medida que eu o vou cultivando em mim, eu começo a mudar a minha vibração e passo a vibrar mais em amor, cuidado e nutrição, passando então a atrair isso porque eu atraio o que vibro e não o que quero. Percebem a magia disto?


O eixo Carneiro/Balança ou o eixo 1/7 representam, em última instância, o equilíbrio e a harmonia que resultam da união, da não separação. Representam a compreensão profunda de como estamos todos ligados por fios invisíveis e de como eu não existo sem ti e tu não existes sem mim, embora eu vá sempre ser Eu e tu vás sempre ser Tu. E representa uma aceitação profunda de que hoje sou eu e tu, mas amanhã posso ser eu e o outro. Representa o compromisso e a liberdade. O compromisso que eu assumo contigo mantendo a liberdade para ser eu. Tal como as árvores se ligam por debaixo da terra e alimentam toda a natureza à sua volta, também eu me comprometo a alimentar os fios invisíveis que nos ligam, a rede em que todos somos um, com a harmonia, beleza e amor que crio através de mim e da minha vida. "E se por acaso nos encontrarmos, é lindo. Se não, nada há a fazer".


E pronto, era isto que queria partilhar convosco porque sinto que cada vez mais pisamos terreno virgem e nos encontramos a desbravar um mundo desconhecido no que respeita a relações, o que acaba por nos deixar com muitas dúvidas e questões por responder. Acima de tudo queria partilhar esta ideia de que há uma mudança significativa a acontecer, não só nas relações, mas no que respeita à energia masculina e feminina. Esta mudança nestas energias também cria por si só alterações à forma como nos relacionamos. A individualidade não é sinónimo de separação e a divisão dos papeis sociais que nos venderam não nos ligam a nada, bem pelo contrário, só nos separam mais de nós. Eu só estou completa quando integro em mim as forças do feminino e do masculino, do dar e receber, do agir e do ficar quieta, do levantar a voz e ficar em silêncio. E eu só me posso relacionar de forma equilibrada quando eu estou completa. Eu não sou o que a sociedade me diz que eu tenho que ser, não sou o que tu me dizes que eu sou, mas só expando a minha luz quando me relaciono contigo e recebo a sombra que tu me devolves.


Partilha feita, vou retirar-me aos meus aposentos e cuidar de me preparar para receber a luz desta Lua. Espero que vos sirva bem e que tenham uma noite iluminada!


☽ Feliz Lua Cheia ☾

(fonte: Pixabay)

 
 
 

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