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Lua Cheia em Capricónio

  • Writer: A Filha de Mercúrio
    A Filha de Mercúrio
  • Jul 11, 2022
  • 6 min read

Olá meus Algodões Doces Cósmicos!


Não escrevia aqui há tanto tempo, mas confesso que tinha saudades e desta vez senti que tinha mesmo que ser.


Estamos em semana de Lua Cheia, desta vez aos 21º de Capricórnio. Esta Lua está ligada à Lua Nova de 02 de Janeiro, a algo que se iniciou por essa altura e que agora precisa ganhar um novo ímpeto. Acima de tudo esta Lua fala sobre estrutura e sobre a purga que precisa ser feita nas nossas vidas para que essa estrutura se torne mais estável, forte e sólida. Provavelmente durante os últimos 6 meses foi-nos mostrado que precisávamos fortalecer uma determinada área de vida, dar-lhe uma nova forma, modificá-la para que se torne mais estável a longo prazo e fomos chamados a assumir novas responsabilidades e atuar nessa área de vida com outro tipo de maturidade.


Quando falamos de Capricórnio é inevitável falarmos da nossa casa interna e das raízes que nos tornam mais fortes e estáveis. Só quando as nossas raízes estão plantadas no sítio certo, dentro de nós mesmos, a ligar-nos ao solo e ao centro da Terra, têm a força e a segurança suficientes para nos permitirem crescer em direcção ao céu, aguentando as intempéries da vida. Claro que quando falamos de raízes falamos de ancestralidade, de casa, lar e de família, porque numa fase inicial da vida são o que nos permite sentir protegidos, acolhidos e seguros, são a nossa história, mas à medida que nos vamos tornando adultos, as nossas raízes passam progressivamente a estar sob a nossa responsabilidade. Tornamo-nos mais estáveis, seguros, sólidos, resistentes, íntegros, quanto mais as nossas raízes estiverem devidamente ancoradas.


O que acontece é que ao longo da nossa vida o processo de amadurecimento não acontece isento de "acidentes". Todos nós temos feridas que ganhámos ao longo deste processo, em momentos em que ainda não tínhamos maturidade para lidar com o que a vida nos oferecia e por isso há sempre memórias e emoções que ficaram presas em algum lugar no tempo. Caranguejo fala sobre estas memórias e emoções, assim como os padrões inconscientes que desenvolvemos para lidar com elas. Fala especialmente de tudo o que está relacionado com as nossas necessidades (mais ou menos) inconscientes de nutrição, cuidado, carinho, colo. Não é que sejamos todos crianças feridas, mas todos temos dentro de nós uma criança que foi ferida. Todos temos dentro de nós uma criança que a dada altura sentiu que não foi acolhida, atendida, nutrida, amada e esse momento deixou uma marca, uma memória, que criou um padrão de comportamento.


É consensual que a nossa história familiar, cultural, social e ambiental define os adultos que nos tornamos, para o bom e para o mau. As nossas crenças, o nosso enquadramento psicológico e emocional, os nossos valores, as nossas experiências, são condicionadas pela forma e pelo contexto em que crescemos. A questão é que não conseguimos tornarmo-nos verdadeiramente maduros sem primeiro cuidarmos desta criança que a dada altura ficou bloqueada no tempo. Precisamos amá-la, acolhê-la, aceitá-la e então dar-lhe asas para se tornar novamente criativa e mágica. Um adulto não é mais do que uma criança que se curou a si mesma e que regressou ao seu estado de liberdade e criatividade.


Assim, para que uma nova estrutura tenha condições para se manifestar, primeiro há uma cura que precisa acontecer, uma libertação (dos padrões que apreendemos, dos preconceitos que nos incutiram, das condições/limitações/barreiras que nos impuseram ou que nos disseram que eram necessárias) e é preciso retroceder no tempo para nos perdoarmos a nós e à vida por todas as emoções mal processadas, por todas as vezes que nos sentimos magoados, abandonados, traídos, agredidos... e por todas as vezes que sentimos que não fomos amados, acolhidos, aceites e que tivemos que "lutar por sobreviver" em condições emocionais e psicológicas de grande vulnerabilidade.


Notem que a questão da sobrevivência está particularmente ativa por estes tempos. O Nodo Sul está em Escorpião a desenterrar os traumas do nosso passado. Muitas vezes sofremos "traumas" emocionais e/ou psicológicos que no momento não tivemos estrutura para lidar com eles e, em nome da "sobrevivência", camuflámos ou empurrámos o sofrimento para dentro de nós e deixámo-lo lá em estado de dormência, meio latente, até termos coragem e força para lá voltar e tratar. Contudo, aparentemente passada a crise, não queremos voltar a ela e muitas vezes deixamos esses "traumas" lá debaixo do tapete, ou no quarto escuro do fundo da nossa mente, enterrados bem no fundo do nosso coração e é aí que precisamos regressar agora.


É importante que sejamos muito amorosos, carinhosos, empáticos e gentis nas nossas conversas internas, mas também nas nossas conversas com os outros. Pode acontecer que surjam mesmo conversas necessárias à resolução de situações/emoções que ficaram pendentes no passado e que se podem tornar bastante emocionais. Ou pode acontecer que não surjam as condições para que isso aconteça, mas vocês sintam que precisam trazer um closure a essas situações. Se assim for, escrevam. Pode ser no vosso diário, podem escrever uma carta, podem escrever em forma de história ou diálogo... ou podem dizer em voz alta. O que importa é que termine com uma resolução amorosa para que essa história seja ressignificada e todas as emoções densas associadas sejam transmutadas.


Prestem muita atenção também aos padrões repetitivos por estes dias. Coisas que se repetem, coisas que vocês repetem, coisas que se manifestam muitas vezes. Prestem atenção a há quanto tempo se repetem. Em que fases de vida se repetiram. E tentem ir recuando até à primeira manifestação desse padrão. Notem que muitas vezes as situações são diferentes, mas no fundo, em essência, o padrão é o mesmo. Esses padrões vão surgir para serem também ressignificados e transmutados. Claro que isto vai sempre exigir que assumamos a responsabilidade por quem somos e pelo que acontece na nossa vida. É necessária coragem, é necessário que se tome uma atitude, que se inicie uma ação, que se esteja disposto a enfrentar a realidade, a sacrificar/entregar o que já não nos serve mais, a alinhar os nossos valores com o nosso coração... e enfrentar as consequências de qualquer que seja a decisão que se tome.


Vénus vai estar a fazer aspetos a Saturno e Neptuno por isso os nossos valores e os nosso amores também virão à baila nesta Lua. Se por um lado estes temas também vão estar a ser ressignificados e a exigir definição e reforço na sua estrutura, Neptuno traz a desilusão e a realidade que nos vêm pedir criatividade e saltos de fé. Ok, podem não ter que saltar... mas vão precisar de ter fé, confiar na vossa intuição, confiar no que não vêem e só sabem bem dentro de vocês. De certa forma, vamos precisar de sair do ego, da confusão mental, do mundo das ideias e escutar o que os silêncios nos sussurram no coração.


Como escrevia ontem, também vamos precisar de rever os nossos compromissos, mas o maior compromisso será sempre o que assumimos connosco, com a nossa verdade e com a nossa vibração. Vejam esta Lua como uma renovação de votos de vocês para vocês. Imaginem que vos está a ser dada uma oportunidade de olharem para o contrato que fizeram convosco e do qual se foram desviando por um motivo ou por outro, e de agora reverem esse contrato e fazerem os reajustes todos necessários, renovando os votos e o compromisso que assumiram quando decidiram vir para cá. Quando assumimos o compromisso necessário connosco com base no amor e na verdade, todos os outros irão reajustar-se quase que naturalmente para suportar o principal e o mais importante de todos.


Na prática, externamente esta Lua pode manifestar-se em pequenas ações, pequenas definições, pequenas alterações, pequenos limites, coisas muito concretas e práticas, porque ela é muito mais sobre uma lugar interno muito profundo de onde vem a nossa verdade (com tudo o que isso acarreta) e a nossa força para criar estabilidade na vida. Então a grande iluminação desta Lua pode acontecer muito mais nos reinos invisíveis da nossa existência, nos lugares internos que ninguém vê e que só nós temos acesso, e a sua manifestação externa já ser só uma consequência deste reforço interno. O que está dentro é igual ao que está fora.


Prestem atenção aos padrões de repetição. Prestem especial atenção aos chakras da raíz e sacral, mas também ao do coração. Notem quando eles se contraem, quando os sentem fechar ou "pesados". Notem se surgem questões relacionadas com ossos, coluna, sistema digestivo, alimentação. Prestem atenção ás emoções. As emoções vão comunicar muito connosco por estes dias. E vão definindo os pequenos passos que querem dar, as pequenas coisas que podem ir fazendo para mudar, para criar estabilidade, solidez, segurança a longo prazo. Se ajudar vão escrevendo, mesmo que de forma solta, de um lado as emoções que vão surgindo e do outro as coisas que precisam ou querem fazer.


Feliz Lua Cheia!



 
 
 

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