Outubro
- A Filha de Mercúrio

- Oct 3, 2021
- 8 min read
Maravilhas Terrenas...
Chegámos a Outubro. Há uns dias escrevi um post onde vos dizia que os ventos da mudança começavam a soprar e que iriam soprar cada vez com mais intensidade até ao final do ano. Não é que o trabalho acabe no fim do ano, nunca acaba! Mas, a meu ver, é mais fácil pensarmos por ciclos ou miniciclos energéticos. O último miniciclo que começamos agora a fechar é o de um Verão de retrogradações, como já vem sendo hábito.
Foi no final de Abril que o Senhor do Submundo ficou retrógrado, seguiu-se-lhe o Senhor do Carma em Abril, em Junho foi a vez do Grande Benéfico e do Espiritual e em Agosto foi Úrano, Deus do Céu, o revolucionário, intuitivo e o que nos liga à Grande Mente Cósmica. Convido-vos a fazerem uma revisão do que aconteceu na vossa vida desde o final de Abril até agora e a identificarem:
A descida até ao Inferno,
Onde ficaram presos, parados, imobilizados, sem se conseguirem mexer, correr ou fugir,
As bençãos que descobriram/receberam durante esse processo,
De que forma é que tudo isto vos conectou (mais) ao espírito, à intuição e que ilusões foram desfeitas, que realidades tiveram que enfrentar, aceitar e acolher no vosso coração e o que tiveram que sacrificar,
E o que perceberam que precisavam mudar, revolucionar, eletrificar depois do confronto com uma realidade que estiveram a negar e que vos esteve a desviar do vosso caminho ou de uma melhor e mais polida versão de vocês mesmos.
Não precisam de rever tudo de uma vez, fazer tudo num dia, mas talvez fosse interessante que antes de dia 6 pudessem fazer uma revisão dos grandes processos que estiveram em foco durante este período. Se já tiverem o hábito de escrever, de manterem um diário, pode ser mais fácil fazerem esta análise. Se não, podem sempre recorrer à vossa memória e escrever umas páginas agora.
Foi um Verão (mais um) virados para dentro, com a vida a arrastar-se e nós a arrastarmo-nos com ela, em tensão interna, em revisão interna, a sentirmos o peso das limitações, das restrições e das responsabilidades, mergulhados em processos profundos, a tentarmos fugir, a tentarmos andar para a frente, mas sem conseguirmos fazer avanços visíveis em lugar nenhum. A boa notícia é que é em Outubro que todo este processo começa a fazer sentido e que a vida começa a andar e as coisas a acontecerem. A notícia que vos pode parecer menos boa, mas que no fim é a melhor, é que muitas coisas não vão acontecer como nós imaginámos e planeámos antes de Maio e motivo é simples: nós já não somos quem éramos antes de Maio.
A partir de dia 6 de Outubro os ventos da mudança começam a soprar com mais força e em uma nova direção. Não só acontece uma Lua Nova em Balança conjunta a Marte, como Plutão, o tal que nos leva ás trevas para nos purificar e curar, retoma o seu movimento direto. Daí e até dia 18/19, Saturno, Júpiter e Mercúrio também ficam diretos e todos os temas relacionados com estes quatro deuses começam a desenrolar-se e a andar para a frente. Se querem pistas:
Vejam em que casa/casas no vosso Mapa Natal Mercúrio, Júpiter, Saturno e Plutão estiveram a fazer a retrogradação, que é como quem diz, vejam em que casa/casas têm Balança, Aquário e Capricórnio (vale também para signo solar e ascendente);
Vejam o que significa no vosso Mapa Natal Mercúrio, Júpiter, Saturno e Plutão.
Hei de falar mais sobre esta Lua Nova, mas para já deixem-me dizer-vos que, como todas as Luas Novas representa um início, é uma Lua Nova de casa 10, casa regida naturalmente por Capricórnio que representa as estruturas e os sistemas sociais e se preocupa com a sua funcionalidade, e no signo de Balança que busca a justiça, o equilíbrio e a beleza em tudo o que está à sua volta. Conjunta a Marte simboliza a vontade e a luta pelos ideais de Balança nos palcos representados pela casa 10. Contudo, existe uma particularidade que dá outro tom a esta Lua. Plutão fica direto e quando um planeta fica direto nós sentimos mais a sua energia. Quando estamos a falar de Plutão, a energia é semelhante a uma pequena grande bomba nuclear e os temas rondam o mistério, os segredos, o controlo, a manipulação e tudo o que de resto vive escondido em cada sombra existente no mundo. A sua força é poderosa, destruidora, mas purificadora e sanadora.
Simbolicamente podemos esperar um novo ciclo de cooperação, de novas parcerias, novos contratos, novas associações cujo objetivo será o de lutar por um mundo melhor, uma sociedade melhor, mais justa, mais igualitária, mais equitativa, mais equilibrada e mais iluminada. Numa fase inicial, as lutas de poder, as formas de controlo e manipulação, podem ficar mais evidentes ou exacerbadas, tudo o que tem estado a ser operado nas sombras pode começar a surgir, assim como as mentiras, os mistérios, os segredos. É um ponto de viragem no processo transformativo que tem estado a ter lugar. Como envolve Marte, o Senhor da Guerra, e Plutão, ambos regentes de Escorpião, inicialmente o processo pode despoletar crises, choques e conflitos, mas a seu tempo o equilíbrio será reposto, a justiça feita e a harmonia acabará por reinar.
Notem que cada um de nós tem o poder de escolher onde quer estar neste processo. Podemos escolher fazer guerra, espalhar ódio e compactuar com as mentiras, ou podemos ficar do lado do amor, dos que lutam pela empatia, pela compaixão, pela harmonia e pela consciência. E como escolhemos? Com os nossos pensamentos, com as palavras que dizemos e não dizemos, com a nossa vibração, com o que escolhemos fazer em cada momento e com a forma como escolhemos tratar os outros, especialmente aqueles que discordam de nós, que nos atacam, que nos tentam ferir ou que nos ferem mesmo sem querer.
A maioria de nós vive presos a feridas, dores, mágoas, rancores, autoinfligidos, autopreservados e perpetuados, mas que por não conseguirmos aceitar que fomos nós que infligimos tamanha dor e sofrimento a nós mesmos, continuamos a culpar outros. É agora, porque nunca é tarde, que podemos fazer a escolha de assumir a responsabilidade pelas nossas vidas, por quem somos e escolhermos o que é melhor e mais alinhado com a nossa alma, com a nossa essência, com o nosso caminho na vida e com o mundo que queremos criar, mesmo que essa não seja a escolha mais fácil. Por esta altura já sabemos, dentro de nós sabemos, e escolher o caminho oposto é escolher um caminho de resistência, contrário ao nosso fluxo natural, por teimosia, por mimadice, por infantilidade de não querermos tornar-nos adultos e assumirmos a maturidade que nos é exigida.
Toda a energia que temos tido em Balança mais a Vénus em Escorpião têm estado a colocar em evidência muitas das fragilidades e desequilíbrios nas nossas relações, assim como a mostrar-nos/espelhar-nos as nossas dependências, as "bengalas" que usamos, o medo e a falta de coragem para invocarmos a nossa liberdade e autonomia e a forma como os nossos desejos muitas vezes são uma forma compulsiva de compensar a falta de amor, de aceitação, de valorização, um vazio crónico, uma ferida existencial, que tentamos camuflar com os outros, mas onde os outros nunca chegam e nunca são suficientes.
Esta é a viragem que já está a acontecer há algum tempo no paradigma relacional: a impossibilidade de continuarmos a tapar as nossas brechas com os outros. A impossibilidade de mantermos relações compensatórias que têm por base as feridas, os medos e as inseguranças. Estamos a aprender a relacionarmo-nos a partir de um lugar de autonomia, de independência e de autossuficiência, onde aprendemos a ser tudo o que nascemos para ser e ao desbravar este caminho solitário, vamos encontrando uma e outra tribo que nos suporta, ampara, motiva e potencia em casa fase do caminho. Isto envolve ganhos e perdas. Envolve saber acolher e saber libertar. Envolve saber receber, saber deixar entrar, saber despedir e saber deixar partir. São as dinâmicas de apego/desapego, a aceitação da naturalidade e da impermanência própria dos ciclos evolutivos da vida.
Quando a Vénus transitar para Sagitário no dia 7, logo a seguir à Lua Nova, o amor vai ganhar outra liberdade e outra expressão. Depois de tanto tempo aprisionada no submundo, a Vénus que, se tudo correr bem, vai sair de lá mais inteira e purificada, vai querer liberdade, vai querer expandir-se, procurar novos horizontes e aventurar-se por novos territórios. O que é diferente será mais atrativo e despertará curiosidade. A intensidade dá lugar à diversão e as nossas crenças e a nossa fé no amor e na vida ganham uma nova vida, uma vida mais entusiástica, otimista e positiva. É uma energia muito mais leve do que a anterior e que é muito bem-vinda.
Até ao fim do mês ainda vamos ter que lidar com muita energia em Balança, não só porque é lá que Mercúrio está a fazer a retrogradação, como Marte só entra em Escorpião no dia 30 de Outubro. Ainda será despoletado muito movimento (interno e externo) de iluminação, de cura, de expansão e de elevação à volta das nossas relações. Depois disso, o mesmo tema continua em foco, mas de uma forma diferente. No dia 23 o Sol entra em Escorpião e aí começa a verdadeira descida, o mergulho intenso e profundo, nas nossas águas internas, nas nossas emoções mais profundas, desta vez para que a nossa consciência e a nossa essência sejam libertadas das impurezas e das toxinas que ainda tapam a nossa luz. Contudo, Escorpião não nos deixa fazer este processo sozinhos. Obriga-nos a envolvermo-nos com outros, a partilharmo-nos com outros e a entregarmo-nos a outros. É através da confiança e da segurança em nós, na nossa estrutura física, psicológica e emocional, que ganhamos bases para podermos mergulhar neles como se estivéssemos a mergulhar em nós, sabendo que se perdermos tudo, ainda nos teremos sempre a nós... E nós somos tudo o que precisamos.
A Lua Cheia em Carneiro no dia 20, acontecerá dentro do mesmo eixo Carneiro/Balança, com Júpiter, Plutão e Marte envolvidos, Vénus e Úrano, Mercúrio e Quíron e ainda Palas, Ceres e Lilith. Esta Lua está relacionada com a Lua Nova em Carneiro de 14 de Abril, a que marcou o início do novo ano astrológico, e se quiserem recordar há aqui um texto no blog sobre isso. Curiosamente (ou não) esta Lua Nova teve uma influência muito forte de Vénus e de Plutão que marcam também fortemente este mês de Outubro.
Em suma, Outubro é um mês muito diferente de Setembro e de todos os outros que ficaram para trás. É um mês de movimento, de mudança, onde a ação começa a ganhar forma e uma forma mais visível. Contudo, temos que estar dispostos a fazer o trabalho interno, a mergulhar dentro de nós, a enfrentar as sombras, os quartos escuros, a frustração dos desejos insatisfeitos, a lamber as feridas, a abandonar os sonhos e as ilusões do passado e a recuperar a fé em nós e na vida. Ver a nova forma não significa que ela se vai manifestar como uma qualquer mesa de madeira à nossa frente. Ver a nova forma implica ser capaz de ver o invisível, ver para dentro, sentir dentro, ser muito honesto e sincero com o que vai cá dentro e ser capaz de ver o que está abaixo, o que está acima, assim na Terra como no Céu.
Estamos a aprender a integrar e a cuidar dos nossos vários corpos em simultâneo, a integrar muitas das nossas versões e a abrir portais que nos permitem usar as linhas de tempo para cocriar a realidade que queremos que a nossa vida e o mundo sejam. Contudo, começa sempre em nós e precisamos tornar-nos os nossos próprios mestres, sem escapes, sem autossabotagens, sem ilusões e isto ninguém pode fazer por nós. É a nossa missão, é a nossa responsabilidade, é o nosso propósito enquanto seres individuais e coletivos. Lembrem-se que a Terra não é o nosso recreio pessoal. Podemos divertir-nos muito por aqui, mas viemos cá com uma tarefa atribuída, uma música para tocar e só quando cada um estiver a soar como é, a envergar as suas cores e a vibrar no seu tom é que a melodia se torna harmoniosa. A magia disto é que cada músico toca uma melodia diferente e é precisamente o conjunto das diferentes melodias que transforma ruído em arte. Saibam qual é a vossa melodia, saibam harmonizá-la e nada temam porque assim que tiverem a coragem e a ousadia de a tocar, o Universo encarregar-se-á de vos juntar à orquestra a que pertencem e de trazer a melhor música para as vossas vidas.





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