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Vigiai e Orai

  • Writer: A Filha de Mercúrio
    A Filha de Mercúrio
  • Aug 23, 2022
  • 4 min read

Borboletas Cósmicas,


Ser vigilantes não é estar sobre pressão. Estar vigilantes é só prestar atenção, ter consciência do que se passa em nós e à nossa volta. Tendemos a achar que o piloto automático é o nosso estado natural, mas o estado de presença é o estado mais essencial e natural em que podemos viver. Nós é que nos desconectámos dele algures no tempo entre os desejos, as vontade, as necessidades, as urgências e as emergências nossas ou dos outros.

Vigiar e orar é prestar atenção a cada sensação, cada desconforto, cada pensamento, cada ação, cada palavra (nossa ou dos outros) e saber discernir quais os que vêm do ego e quais as que vêm do espírito. É saber discernir de entre todos e perceber quais são aqueles que potenciam e expandem a nossa energia e quais, pelo contrário, a drenam e a fazem diminuir, encolher e definhar.

É portanto o nosso trabalho a tempo inteiro e um dos mais importantes de todos: saber exatamente o que entra e sai do nosso campo energético, o que toca de forma potenciadora ou sabotadora os nosso vários corpos e garantir que quem está no comando é a nossa melhor e mais ampla versão e não a versão pequenina e irritante (aquela que me lembra sempre uma versão chata e infantil do Grilo Falante).

A versão mais ampla, o espírito, o Deus, a Deusa, o Gigante (chamem-lhe o que quiserem), estão sempre prontos, atentos e disponíveis para assumir o comando do leme, mas primeiro precisamos conversar com a versão mais pequenina e explicar-lhe que está tudo bem, que está segura, está a salvo, que nada de mal lhe vai acontecer e que, na verdade, até pode ser bastante útil, mas noutras tarefas que não a de comandar. E com gentileza, amor e cuidado pegamos na versão irritante do Grilo Falante, damos-lhe a mão e libertamos o espaço do lugar do Comandante enquanto conduzimos o ego à sala dos puzzles e o deixamos a trabalhar na forma, no método, como vamos operacionalizar e materializar a vontade do Comandante que entretanto poderá assumir o lugar que é seu por honra e direito.

Como o ego é travesso e está habituado a aborrecer-se depressa, a escapulir-se e a tentar regressar ao comando, é necessária essa vigilância constante porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Inicialmente vai parecer-nos extremamente difícil estar sempre atentos porque nos soube bem a dada altura demitirmo-nos dessa responsabilidade. Soube-nos bem culpar os outros, a vida e há até relatos de conspirações universais para tudo o que de mal correu enquanto o irritante Grilo Falante estava no comando (como se não tivéssemos sido nós a puxar-lhe a cadeira para se sentar enquanto lhe levávamos os chinelos e um cházinho). Inicialmente vai ser-nos estranho e parecer que nos exige imeeeeeenso estarmos sempre tão presentes, mas com algum tempo, prática e persistência vão perceber que os benefícios são enormes e que é uma posição muito mais natural do que aquela em que nos demitimos das nossas vidas.


A escolha é entre andar á deriva ou, através dos nossos Gigantes internos, traçarmos a nossa rota e escolhermos a qualidade das nossas vidas. No estado de presença somos muito mais abundantes porque não precisamos de nada, a nossa vibração está alinhada com o fluxo Universal, estamos em plena aceitação logo mais afastados do julgamento e, acima de tudo, não estamos embrenhados em padrões de toxicidade que corroem como ácido tudo aquilo que construímos.


Não vos estou a dizer o que devem escolher. Apenas a tentar mostrar-vos os dois lados da moeda: podemos ceder o nosso poder e a nossa vida e viver sempre com a sensação de que tudo é uma luta, um sacrifício, que é preciso sofrer enquanto abençoamos cada tipo de gratificação imediata, momentânea, uma pequena lufada de ar a entrar nos pulmões entre um afogamento e outro mas que dura muito pouco, vivendo sempre com a sensação de que nos falta qualquer coisa (o dinheiro, a casa, o trabalho, o amor, a validação, o reconhecimento, a saúde, o pai, a mãe, o respeito, o ar... enfim, já perceberam);


... ou podemos ser pacientes, maduros, resilientes e trabalhar afincadamente em algo que não parece tão agitado, tão intenso, tão emocionante; que na verdade é muito mais sereno, pacífico, harmonioso, mas que a curto médio prazo nos coloca num lugar de sentido, realização, manifestação e preenchimento interno que pode durar a vida toda. E mudar a vida toda. E mudar a qualidade da vida toda.


Então meus queridos e minhas queridas, vigiem e orem. E comam e amem e orem mais um bocadinho. Ocupem o lugar que é vosso por direito sem medo de serem grandes. Há um preço a pagar, é certo, mas não é muito mais caro o preço de passar ao lado de uma vida inteira como se alguém, um outro, uma outra, a tivesse vivido por nós? Já dizia Pessoa (Senhor Pessoa que lhe tenho muito respeito) "para ser grande, sê inteiro". Então sejam inteiros e permitam-se viver em pleno as vossas vidas em vez de se limitarem a assistir a elas como Grilos Falantes irritantes que pagaram o bilhete para ir ao cinema, mas como não se calaram cinco minutos perderam o filme todo.


Se quiserem aprofundar mais este tema recomendo muito os livros Psicologia da Alma do Joshua David Stone e o Poder do Agora do Eckhart Tolle.



 
 
 

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